Coisas do Paraná

A nossa maneira de falar é muito marcada pelo contexto/cultura em que estamos inseridos. Depois de adulta, percebi o quanto que a “maneira de falar do Paraná” (e aqui me refiro a Colorado, dada a diversidade de sotaques e regionalismos do estado) está enraizada no meu vocabulário.

Uma das coisas que mais gosto de fazer é tomar aquele delicioso e demorado café (seja o da manhã ou o da tarde-obrigatório por aqui!), sem pressa porque o tempo passa de maneira diferente por aqui, ouvindo as musiquinhas caipiras no radinho a pilha (que mais parece um radinho de criança devido aos seus tons intensos de vermelho e azul) da Vó Nair. Amo comer uma ‘feta’ de pão caseiro e tomar o leite ‘queente’ que veio da ‘mangueira’ (sim, isso mesmo, mangueira além de ser um pé de árvore também é sinônimo do lugar onde se tira o leitinho da vaca. Fiquei muito surpresa ao descobrir, recentemente, em uma reunião que as pessoas apenas conhecem este lugar com o nome de curral). Para acompanhar o meu delicioso café da tarde, peço que a Vó Tereza frite os bolinhos de chuva no óleo ‘tinindo’ e faço o ‘chá de chocolate’ (=sabor da infância).

Mas há os mais jovenzinhos, como o Osmarzinho, que preferem tomar o Tereré (muito comum por aqui), sentado nas cadeiras de cipó em frente às casas, ouvindo os sertanejos universitários moderninhos (nem preciso falar que na Capital do Rodeio é o que há).

Em Colorado (imagino que isso também ocorra em outras cidades que não São Paulo), o tempo tem outra lógica: há espaços para visitas imprevistas (sim, as pessoas se visitam muito, até mesmo às 06 da manhã como ocorre na casa da Zinha), caminhadas pelas principais avenidas ao final da tarde (e mesmo com os pedestres ‘acadêmicos’, ainda há muitooo espaço para os carros, dado o tamanho das avenidas; pouca quantidade de carros; maior possibilidade de se enxergar o horizonte (só há um prédio em toda a cidade e ele nem é tão alto)) e cruzar com aquele lindo pôr do sol.

Muitas pessoas me perguntam o motivo pelo qual eu sou muito apaixonada por Colorado, mesmo tendo viajado muito nessa vida (e ainda há espaço para todas as outras viagens que me faltam). E a resposta é uma só: aqui aprendo a valorizar as ‘pequenas coisas da vida’, que para mim são as mais importantes!

"Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!" Mário Quintana 

 

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